http://opais.sapo.mz/index.php/sociedade/45-sociedade/12387-piratas-somalis-ameacam-matar-24-tripulantes-do-vega-5-feitos-refens.html

Caso não se pague o resgate avaliado em cinco milhões de dólares Dos 24 cidadãos feitos reféns há sensivelmente  50 dias, 19 são moçambicanos  e todos estavam ao serviço da “Pescamar”, quando foram sequestrados no largo do Bazaruto.

Os 24 cidadãos, dos quais 19 moçambicanos, feitos reféns por piratas somalis, desde Dezembro último, poderão ser executados num prazo de sete dias, contados a partir da quarta-feira passada, caso o Governo ou a Pescamar não desembolsem o valor exigido pelos piratas para o efeito de resgate.
De acordo Tina Oliveira, irmã de um dos moçambicanos sequestrados, Olívio Oliveira, os piratas exigem um valor estimado em cinco milhões de dólares americanos para a libertação dos sequestrados.
Porém, em contacto telefónico com o nosso jornal, um dos piratas disse que o Governo ou a Pescamar deve pagar 500 dólares para que os reféns sejam devolvidos ao nosso país.
Na referida conversa mantida entre o nosso matutino e o pirata, pedimos falar com um dos moçambicanos reféns, mas a solicitação não foi aceite. Os somalis disseram que tal só seria possível mediante o pagamento do valor exigido. “Enviem-nos o dinheiro que terão os vossos amigos”.
Governo reage
O ministro das Pescas, Victor Borges, reagindo ontem ao assunto, disse que o Governo ainda não recebeu nenhuma informação relativa ao pedido de resgate dos cidadãos feitos reféns por somalis. 
Victor Borges considera estranha a atitude dos somalis, alegadamente por não ser seu costume exigir valores aos governos, mas sim a empresas proprietárias das embarcações que, neste caso concreto, seria a Pescamar.
No total, os piratas têm na sua posse 36 embarcações, sendo o “Vega 5” a vigésima sétima embarcação a chegar ao local. Curiosamente, nenhum desses sequestros foi notificado a um governo, mas sim às empresas proprietárias, afirmou o titular da pasta das Pescas.
Famílias continuam desesperadas
Na ausência de uma palavra satisfatória do Governo e/ou do proprietário da embarcação a responder positivamente às chantagens dos piratas somalis, as famílias das vítimas continuam num autêntico sofrimento, devido, por um lado, à ausência dos parentes e, por outro, à falta das condições de vida, já que alguns sequestrados eram chefes de famílias.

Reabilitação da Linha de Sena: Estado “chumba” qualidade da obra

Nenhum dos 554 quilómetros da linha férrea de Sena, no centro do país, responde aos padrões definidos no contrato de reabilitação rubricado entre o Estado moçambicano e o consórcio indiano Rites and Ircon, no âmbito da concessão do Sistema Ferroviário do Centro, rubricado em 2004. O Presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) percorreu a linha nos últimos dois dias em visita de fiscalização às obras e, na hora do balanço, disse não acreditar que o consórcio indiano vá a tempo de corrigir os erros e omissões abundantes no empreendimento e de evitar o cancelamento da concessão do sistema, conforme decisão do Conselho de Ministros.Maputo, Quarta-Feira, 9 de Fevereiro de 2011:: Notícias


A mais grave das omissões detectadas por Rosário Mualeia está ligada à balastragem, cujas deficiências em vários troços da linha podem reduzir a capacidade de resposta aos volumes de carga projectados para os próximos tempos, particularmente após o arranque das operações de exportação do carvão de Moatize a partir do Porto da Beira. Balastragem é o processo de colocação de pedra sobre a qual assentam os carris em condições capazes de aguentar com o peso das cargas planeadas.

Tal deficiência origina desníveis na linha que a serem ignoradas podem provocar descarrilamento de comboios, sobretudo quando a linha estiver em pleno uso da sua capacidade, estimada em seis milhões de toneladas por ano.

Na conversa que manteve com jornalistas no final da visita, Mualeia também se referiu à falta de valas de drenagem, outro elemento que, segundo ele, pode fragilizar a linha, uma vez que em tempo de chuva as águas fluviais vão invadir a via arrastando solos, contaminando o balastro ou movimentando-o, com todas as consequências para a estabilidade da ferrovia.

A empreitada na linha de Sena inclui ainda a reabilitação de 17 estações ferroviárias, bem como a construção e/ou reabilitação de residências para o pessoal das operações, trabalho que, segundo pôde constatar a nossa Reportagem, apenas foi concluído em duas, nomeadamente a de Muanza e de Inhaminga. Em Caia, por exemplo, as obras de construção do novo edifício da estação foram iniciadas em Agosto de 2010, mas até à última segunda-feira não passavam das fundações.

“A minha maior infelicidade no final da visita é não ter podido ver um único quilómetro, dos 554 da extensão da linha, em condições de responder aos padrões estabelecidos no contrato. Ainda há muito trabalho por realizar e considerando que haverá certamente outros aspectos que serão apontados pelo engenheiro independente da obra, por maior que seja o esforço do empreiteiro, não acredito que o trabalho possa ser concluído no tempo que vai até 24 de Março, depois do que vamos comunicar formalmente a rescisão do contrato”, explica Mualeia.Segundo o PCA dos CFM, a RICON não está em condições de concluir o trabalho, uma vez que além de não dispor de capacidade financeira e meios humanos qualificados, tem grande parte do seu equipamento avariado, situação que joga a seu desfavor.

Ronaldo ou Messi: quem é o Di Stéfano do século XXI?

A pergunta é tão absurda como a do "gostas mais da mamã ou do papá?" Quique Flores iniciou o debate, Valdano respondeu sem demora. Amanhã, dois Stéfanos em Genebra, no Portugal-Argentina

Pelé ou Maradona? Eusébio tem a resposta na ponta da língua: Di Stéfano. "Ele jogava com todas as partes do corpo, aquilo é que era um jogador completo. E recuava, ia lá atrás, roubava a bola ao adversário e iniciava um ataque. Às vezes, até o concluía com um golo. Garanto-lhe: um fenómeno sem igual!"

É sábado, dia de Barcelona-Atlético Madrid. Os três golos de Messi são um pormenor. A jogada que o marca ocorre aos 51 minutos. Agüero pega na bola, passa o meio-campo do Atlético (uy, que raro!), corre, corre, corre e está quase a chegar à área do Barcelona, quando aparece um homem. Afinal, há aqui um equívoco. É um miúdo. É Messi, que rouba a bola ao compatriota com uma classe digna de um Beckenbauer e sai a jogar, depois de passar por Felipe Luis com mais um toque virtuoso. No final, há quem o endeuse. Como Quique Flores, treinador do Atlético Madrid. "Messi é o Di Stéfano do século XXI."

Um dia depois, domingo, há Real Madrid-Real Sociedad no cartaz da Liga espanhola. Cristiano Ronaldo marca mais dois golos mas isso é um pormenor. Um lance mágico, aos 19 minutos. Lançamento largo de Özil para a esquerda. De costas para a bola e marcado em cima por Estrada, não se espera grande coisa de Ronaldo. A jogada está perdida. Mas Ronaldo inventa a espaldinha, um toque com as costas em que a bola passa por cima do adversário. A habilidade de CR7 faz com que o Bernabéu venha abaixo com aplausos e interjeições do tipo "Ooooooohhhhhhhh, coño, joder". No final, há quem o endeuse. "Cristiano é que é o Di Stéfano do século XXI", diz Valdano, o triplo D (desesperado director-desportivo) do Madrid, a quem Mourinho fechou a porta do balneário na cara numa tentativa (bem-sucedida) de o afastar da equipa.

Sem o que fazer, Valdano trabalha para reconquistar o seu lugar dentro do balneário, onde já actuou como jogador (1984-87) e treinador (94-96). E que trabalheira... Essa de eleger um português (Ronaldo), em detrimento de um paysano (Messi), para sucessor de um compatriota (Di Stéfano) é um pedido de socorro.

Mourinho não foi cá em cantigas, e até se atirou ao outro, que é Messi. "Ronaldo joga sempre com todas as forças, esgota-se em campo, mas tem um problema: a ele, que tem um bom corpo e é forte, os adversários metem-lhe o pé, derrubam-no. Não é como ao outro [Messi], a quem todos têm medo de meter o pé e ninguém lhe toca."
No meio desta troca de palavras, nada melhor que um momento chill out, na neutra Suíça. Amanhã, quarta-feira, é dia de Portugal-Argentina. Em Genebra, a cidade com nome de um gin inventado no século XVII. Aí ninguém discutia o Di Stéfano do próximo século. Deixemo-nos de histórias. Isto de eleger o Di Stéfano do século XXI é como aquela pergunta absurda do "gostas mais da mamã ou do papá?" Não há escolha possível. Os dois são Di Stéfano. Messi vai à defesa e recupera a bola junto de Agüero, como Di Stéfano. Ronaldo joga com todas as partes do corpo, incluindo as costas, como Di Stéfano. Brindamos a isso. Genebra!

 
Fonte:http://www.tim.co.mz/por/Noticias/Desporto/Ronaldo-ou-Messi-quem-e-o-Di-Stefano-do-seculo-XXI

"Samora Machel foi barbaramente assassinado pelo Apartheid"

Presidente da República não tem dúvidas


Samora foi o líder que foi porque respondeu ao chamamento da pátria, valorizando-se a si próprio e procurando, na auto-estima, a fonte de inspiração, de força, e a construção dum mundo melhor para si e para o seu povo

Intervindo no comício popular que ontem orientou em Xai-Xai, o Presidente da República, Armando Guebuza, afirmou numa passagem do seu discurso que “Samora Machel foi barbaramente assassinado pelo regime do Apartheid, nas colinas de Mbuzini, em território sul-africano”. Na verdade, não se trata de uma tese nova. No entanto, não deixa de ser curioso o Presidente da República continuar a reiterar e tomar esta tese como uma verdade acabada, na medida em que o mesmo encarregou o procurador-geral da República, Augusto Paulino, de dar continuidade às investigações sobre as reais causas que ditaram a morte de Machel, a 19 de Outubro de 1986. Ou seja, se é um facto que Samora foi morto pelo Apartheid, não faz sentido mandar investigar, sendo, sim, necessário que o Estado moçambicano desencadeie mecanismos legais e diplomáticos junto do governo sul-africano ou das Nações Unidas com vista a prender, julgar e punir severamente os responsáveis por este acto hediondo.

Refira-se que, logo após a morte de Samora Machel, Armando Guebuza foi a pessoa que chefiou a comissão de inquérito sobre as causas do despenhamento do Tupolev que acabou vitimando Machel e sua delegação. E os resultados desta comissão nunca foram de domínio público.



"Samora não seguiu o pré-destino"

No entanto, não deixa de ser verdade que o discurso lido por Armando Guebuza, ontem, tenha sido um dos mais bem elaborados e, por isso, mais emocionantes. Guebuza falou de um Machel que se recusou a que a sua biografia seguisse o curso que lhe fora pré-destinado, na medida em que, se tal tivesse acontecido, “ele teria nascido, vivido e morrido sem registo para posteridade, senão, talvez, na memória dos seus entes queridos, amigos (...) tudo estava traçado para frustrar o seu avanço. Todavia, Samora Machel contrariou, já naquela época, o roteiro que a implacabilidade da opressão e humilhação colonial impunham a todo o jovem africano com ambição. Pela sua tenacidade e sentido de propósito, desafiou não só o sistema de administração estrangeira, como também, e acima de tudo, o destino. Formando-se, ele, afirmou, da forma mais enfática possível, que ele não seria vítima do destino, mas, sim, dono da sua própria biografia, obreiro da sua trajectória de vida e narrador principal da sua história de vida”, disse Guebuza.

Numa nota de fecho, Guebuza disse que “Samora foi o líder que foi porque não deixou o seu talento e o seu potencial morrerem nas mãos da adversidade colonial; porque não deixou que as circunstâncias fossem donas do seu destino; porque respondeu ao chamamento da pátria, valorizando-se a si próprio e procurando, na auto-estima, a fonte de inspiração e de força, e a construção dum mundo melhor para si e para o seu povo”.
Fonte:http://www.opais.co.mz/index.php/politica/63-politica/12134-qsamora-machel-foi-barbaramente-assassinado-pelo-apartheidq.html